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Entrevista sobre Marketing de Conteúdo para o Canal do Empresário da Desenvolve SP

Rafael Rez

É fundador da agência de GEO & SEO Web Estratégica.

Autor do livro best-seller internacional "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", publicado no Brasil pela DVS Editora e em Portugal pela Editora Marcador. Lançou em 2026 o novo livro "GEO: Decisões influenciadas pela IA".

Co-fundou a Nova Escola de Marketing, referência na formação de profissionais da área. Possui MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Reconhecido como um dos maiores especialistas em GEO (Generative Engine Optimization) e Marketing de Conteúdo no Brasil e em Portugal, atua como consultor, palestrante e formador de opinião na área.

Escolhido pela Deck & Nexus como um dos 30 profissionais mais influentes na comunicação e marketing no Brasil.

O marketing de conteúdo é uma estratégia cada vez mais adotada pelas empresas com o objetivo de disseminar conteúdo relevante para atrair, cativar e reter clientes.

Esse processo gera uma relação de confiança que impulsiona vendas e gera credibilidade para sua marca ou produto. Saiba mais sobre marketing de conteúdo nesta entrevista em vídeo com o Rafael Rez feita pela Sabrina Henrique, Superintendente de Comunicação na Desenvolve SP.

Confira também a entrevista para Revista da Desenvolve SP, edição 3:

Por que investir em marketing de conteúdo?

Todas as teorias de comunicação usadas em publicidade, propaganda e marketing são modelos construídos nos anos 60, 70, baseados em comportamentos de uma era em que a competição era pequena, os canais de comunicação eram restritos e os consumidores viam as empresas com olhares de admiração.

O consumidor de hoje é bastante diferente. Hoje as pessoas tem acesso fácil à informação, desconfiam de marcas e empresas e confiam mais na opinião de seus círculos sociais do que em propagandas. O processo de decisão para adquirir bens duráveis, pacotes de férias, imóveis, cursos de graduação e pós-graduação, só para ficar em alguns exemplos, leva meses, muitas vezes mais de um ano. As pessoas estão aprendendo a pesquisar, coletar informações e se informar antes de tomar decisões. Não é raro chegar numa loja e saber mais sobre o carro do que o vendedor.

Neste cenário, as empresas precisam entender que o consumidor da era digital não é fácil. Precisam fornecer informações, educar o cliente e se relacionar com ele. As empresas precisam conquistar a confiança deste novo consumidor, ele não dá voto de confiança facilmente, não gosta de ser enganado e reclama por motivos que há 10 ou 15 anos ninguém reclamava. Isso exige mais das empresas. Exige transparência, relacionamento e conteúdo. As empresas precisam ser capazes de dialogar com este consumidor mais crítico, ao invés de apenas fazer o velho discurso corporativo. Empresas que não sabem ouvir e se adaptar vão lentamente se tornar menos competitivas e perder espaço para concorrentes mais flexíveis, que sabem ouvir o cliente e gerar conteúdo interessante e útil, que ajuda seus clientes a tomarem boas decisões.

Por que o marketing de conteúdo se tornou tão relevante nos últimos anos?

Uma frase famosa na internet diz que “O conteúdo é rei”. Ela foi dita por Bill Gates, fundador da Microsoft, nos anos 90. Lee Odden, autor de livros sobre marketing digital, diz que na verdade “O conteúdo não é o rei, é o reino.” O que isso quer dizer é que na internet tudo o que fazemos envolve interagir e consumir conteúdo: ler blogs, navegar na Wikipedia, assistir vídeos no Youtube, ver fotos no Instagram, ver slides, palestras do TED, ler notícias, baixar e-books, se divertir com infográficos, tudo isso é conteúdo que estamos consumindo diariamente, por horas e horas, tanto no computador quanto no smartphone.

Se as empresas quiserem alcançar os consumidores hoje em dia, precisam estar presentes neste universo, e uma das formas mais eficientes de fazer isso é produzindo conteúdo. Se as empresas fizerem conteúdo útil, que ajude seus clientes, terão clientes mais interessados e preparados para comprar. Clientes que consomem conteúdo tendem a reclamar menos, fazer menos devoluções, usar menos a garantia e recomendar mais o produto. Estes clientes sabem melhor o que compraram, e confiam mais nas empresas que escolhem.

À medida que a publicidade se tornou fonte de desconfiança e perdeu relevância – as pessoas passam menos horas à frente da TV, leem menos jornal e escutam menos rádio – e passaram a ficar mais tempo conectadas, o conteúdo gradualmente foi ganhando importância. Seth Godin, um grande guru de marketing, usa uma frase muito poderosa: “Marketing de Conteúdo é a última estratégia de marketing que sobrou.”

Quais as principais ferramentas?

Sem dúvida um bom site é o princípio de tudo. Há dois anos algumas marcas apostaram alto no Facebook, e faziam seus sites abrirem suas FanPages. Agora que o Facebook derrubou o alcance orgânico e a moda passou, essas empresas perderam tempo e oportunidades de coletar informações melhores sobre seus clientes. O site é uma ferramenta própria, controlada pela empresa, e que sempre será relevante. Em menos de um ano, metade dos acessos à internet estará sendo feito através de smartphones e tablets. Sites que não tiverem uma versão Mobile, compatível com esses dispositivos móveis, serão praticamente irrelevantes para metade de seus clientes potenciais.

Em seguida ao site vem o blog. O blog é um canal informal, que permite usar linguagem mais informal e estabelecer uma conversa com os clientes: tirar dúvidas, fazer pesquisas, postar vídeos, imagens, cobrir eventos, incluir slides e qualquer recurso que seja interessante e útil para o público-alvo.

O vídeo também vem ganhando grande importância. Com a melhoria da banda larga e a adoção do 3G/4G, assistir vídeos rapidamente se tornou uma das 3 maiores atividades feitas pessoas na internet. Ler e-mail, usar redes sociais e assistir vídeos são as 3 atividades online mais populares. Tenho casos de clientes B2B que usam canais de vídeo para divulgar seus produtos e tem quase 1 milhão de visualizações. E são empresas de pequeno porte, mas que souberam aproveitar a internet de forma criativa e gerar resultados em vendas com a produção de conteúdo em vídeo.

Por fim, o e-mail marketing é fundamental. Não adianta produzir tanto conteúdo se a empresa não se relacionar com seu mailing de clientes regularmente. Uma boa ferramenta de e-mail marketing que faça o monitoramento dos leads é fundamental.

Quem deve produzir o conteúdo?

Eu defendo que toda empresa deve ter uma pessoa dedicada a pensar em conteúdo dentro do marketing. Se for uma empresa pequena e tiver apenas uma pessoa no marketing, metade do tempo dessa pessoa deve ser dedicado a pensar em oportunidades de conteúdo e em fazer essas oportunidades acontecerem. Hoje existem agências e empresas especializadas em produzir conteúdo, cursos sobre Marketing de Conteúdo, softwares para medir os resultados do conteúdo.

Profissionais como jornalistas, publicitários, redatores e produtores de vídeo hoje atendem empresas tanto como agências de publicidade sempre atenderam, mas usando recursos que ajudam a medir os resultados e comprovar a eficácia de suas ações. As empresas tanto podem contratar funcionários para produzir o conteúdo internamente quanto podem contratar profissionais para este fim. O importante é dar grande atenção ao conteúdo e entender que uma campanha vende durante 15 dias, mas conteúdo bem feito vende todos os dias do ano, para sempre.

Qual deve ser o foco do meu conteúdo?

O Jay Baer, outro autor que gosto bastante, diz que se você não pode ser divertido ou inovador como a Apple, a RedBull ou a Coca-Cola, pelo menos você pode ser útil. Atendemos uma empresa local, uma corretora de seguros, e chegamos a vender 100 apólices novas todo mês a partir do conteúdo do blog e do site. Identificamos as dúvidas que os clientes tinham sobre seguros, sobre sinistros, acidentes e garantias, escrevemos conteúdo que respondia a essas dúvidas (e portanto é útil aos clientes) e atraíamos novos clientes em busca de uma boa corretora, porque eles confiam no conteúdo do site.

Com uma infinidade de conteúdo na web, como chamar a atenção do meu target?

Eu sempre digo que tão importante quanto fazer bom conteúdo é saber promover bem este conteúdo. Conteúdo que não é encontrado não serve para nada. É importante que as empresas invistam em SEO profissional, sem a expectativa de ter o primeiro lugar no Google, mas sim com o propósito de atrair visitantes qualificados, com potencial para se tornar clientes. O Google é fonte de 50% das visitas aos sites no mundo todo. Não estar no Google é deixar de fazer negócios com muitos clientes.

Estar presente nas principais redes sociais e segmentar o conteúdo para o público-alvo correto, usando os recursos de promoção de conteúdo de redes como o Facebook, por exemplo, é outra forma de alcançar muitos clientes, mesmo com baixo investimento.

Procurar oportunidades de aparecer em blogs, sites que falam com o público da sua empresa e investir nesse tipo de divulgação também funciona muito bem. Patrocinar blogs que geram bom conteúdo é uma forma de associar a marca a quem já tem a confiança do público.

Se não tiver uma equipe, posso replicar o conteúdo de terceiros? Ou precisa ser exclusivo? É preciso ter um profissional dedicado para isso?

Replicar conteúdo de terceiros é uma prática que chamamos de Curadoria de Conteúdo. Mas é preciso ser muito ético, sempre citando a fonte, e no caso da internet, colocar o link para o site de onde o conteúdo foi reproduzido. Alguns sites não permitem este tipo de cópia, e é preciso respeitar os limites. Porém somente copiar conteúdo não é o ideal.

Gerar conteúdo original, pensado para as dúvidas e problemas reais dos clientes, é mais eficiente e dá mais resultado, de forma geral. É necessário ter pelo menos um profissional capacitado para pensar em conteúdo dentro da empresa, mas sob a coordenação dele, é possível ter um terceirizado criando o conteúdo. Muitos jornalistas, redatores e profissionais de comunicação ganham a vida produzindo conteúdo para empresas toda semana. Esse conteúdo alimenta sites, redes sociais, blogs e e-mails das empresas, e pode ter tanta qualidade quanto o conteúdo feito por um profissional contratado dentro da empresa para este fim. Depende do tamanho e da necessidade de cada negócio.

Qual a eficácia? Já existem estudos ou pesquisa com resultados? Tem algum dado como valores investidos pelas empresas?

Os estudos indicam que 90% das empresas B2B já investem em Marketing de Conteúdo nos Estados Unidos. Aqui no Brasil não existem grandes pesquisas sobre o assunto, mas a adoção tem sido bastante rápida. As empresas que se dedicaram ao Marketing de Conteúdo crescem rapidamente e as agências estão criando departamentos de conteúdo para dar conta da demanda.

A maioria das empresas investe entre R$ 1.500 e R$ 6.000 mensais em Marketing de Conteúdo, principalmente se considerarmos quem fatura até 1 milhão por ano. Os estudos de marketing indicam que as empresas devem dedicar em torno de 6% do seu faturamento total em marketing. Eu acredito que o investimento em marketing de conteúdo deve representar algo entre 25% e 50% desse total, mas essa porcentagem varia muito de acordo com o segmento de cada empresa, ramo de atuação e abrangência geográfica.

Já atendi clientes que investiam 8% do orçamento de marketing em conteúdo, e isso representava mais de 1 milhão por ano investidos em conteúdo, e também já vi empresas investindo 100% da verba de marketing em conteúdo, e o total do investimento era de R$ 2.500 mensais. Cada empresa deve fazer o investimento compatível com sua realidade e suas metas de resultados.

Existe alguma empresa conhecida pela força do seu marketing de conteúdo?

A RedBull é um exemplo quase perfeito. Quase não se vê a RedBull fazendo publicidade tradicional, como comerciais de TV. Uma parte maciça do investimento é em geração de conteúdo, criando visibilidade para a marca através de iniciativas inusitadas. A Coca-Cola investe muito em conteúdo, seu novo site em inglês foi apelidado de “The Journey”, “A Jornada” em português. O site é uma grande plataforma para contar histórias, o refrigerante é apenas coadjuvante destas histórias.

A EMS Genéricos criou no Youtube um canal focado em contar histórias de pacientes que convivem com as mais diversas patologias, e teve 400.000 visualizações em 2014.

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Entrevista em vídeo publicada no site da Desenvolve SP em maio de 2015.

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