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Repetição de palavras: 3 formas de criar anúncios memoráveis

O senso comum costuma classificar a repetição de palavras como algo ruim. Esse recurso, porém, é uma das estratégias de retórica e convencimento mais eficientes que existe. Para demonstrar isso, nesse artigo, vamos analisar 3 maneiras de utilizar a repetição para criar anúncios que ficam na memória das pessoas.

Para isso, vamos analisar propagandas e slogans que fizeram muito sucesso nos anos 90 e que são lembrados até hoje por muita gente.

Compre baton

Compre baton, compre baton, compre baton. Essa frase ficou grudada na mente de todo mundo que assistiu à propaganda do chocolate da marca Garoto.

Essa estratégia narrativa de repetir várias vezes uma mesma expressão sem o uso de conjunção é chamada epizeuxe ou paliologia. O objetivo dela é amplificar um argumento ou fazer uma exortação, um chamamento.

Essa figura de linguagem lança mão da repetição icônica, que é aquela que tem a função de despertar uma ideia de obsessão e ênfase. E parece que a Garoto conseguiu fazer com sucesso.

Vale ressaltar que esse modelo de propaganda acabou sendo proibido posteriormente. Não por causa da repetição em si, mas por ter como foco principal as crianças.

Confira abaixo a propaganda:

Tostines

Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Esse slogan, criado pelo publicitário Enio Mainardi, fez tanto sucesso, que acabou virando uma espécie de ditado popular para indicar relações de causa e efeito.

Essa estratégia de repetição é uma figura de linguagem chamada calembur ou trocadilho. Ela consiste em fazer um jogo de palavras para dar um tom divertido e descontraído a uma afirmação.

Essa troca de posição das palavras trabalha dois elementos: ritmo e métrica. O primeiro tem a ver com a posição das sílabas tônicas das palavras; o segundo está relacionado com o número de sílabas das palavras.

Nesse sentido, perceba que as palavras “tostines” e “fresquinho” são ambas trissílabas (têm 3 sílabas) e paroxítonas (a sílaba tônica é a penúltima). Essas semelhanças criam um efeito sonoro agradável para quem ouve a frase e facilitam a retenção da mensagem.

Confira abaixo o anúncio:

Pipoca com Guaraná

Pipoca na panela começa a arrebentar. Pipoca com sal, que sede que dá. Pipoca e Guaraná, que programa legal… Tenho certeza que, ao ler as frases iniciais desse jingle do Guaraná Antártica, você cantou a música mentalmente.

A estratégia da empresa foi criar uma associação entre dois produtos para incentivar o consumo conjunto. Para isso, eles usaram um recurso estilístico chamado epanáfora, que consiste em repetir a mesma palavra no início das frases.

Essa figura de linguagem usa a chamada repetição temática, que é aquela que tem como objetivo reforçar o tópico principal da mensagem para ajudar a sua memorização. Ao utilizar de forma seguida e periódica a palavra “pipoca”, a propaganda reforça a ligação desse alimento com o Guaraná.

Confira abaixo o anúncio:

Repetição boa x Repetição ruim

Para concluir nossa conversa, vale destacar que a repetição de palavras quando é feita de maneira acidental e descuidada, em decorrência da falta de vocabulário de quem escreve, configura um vício de linguagem.

Contudo, quando ela é utilizada como um recurso retórico, de forma consciente, é uma das estratégias mais poderosas que existem para construir uma argumentação convincente, como você pôde ver nas propagandas analisadas neste artigo.

Anônimo

Pedro Valadares

Jornalista especializado em revisão de texto. Tem mais de 10 anos de experiência nas áreas de revisão e de ensino da língua portuguesa.

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